Leões e Cordeiros é um filme que discute um assunto durante cerca de uma hora e meia, exorcizando cada temática como pouca gente fez. Trata-se de um drama onde seis personagens principais se entrelaçam mostrando um Estados Unidos oposto àquele dos ataques terroristas de 2001.
O filme se passa no ano de 2007, seis anos após o atentando de onze de setembro. O país, tentando dar um fim na guerra contra o Afeganistão, traça um novo plano de ataque sob o comando do senador Jasper Ivring (Tom Cruise). Entrevistando o Senador durante todo o filme está Meryl Streep no papel da jornalista Janine Roth. Em cenas marcantes com um diálogo constante, o Senador relata seu plano para a jornalista e expõe à seu modo todos os pontos positivos do final da briga com o Afeganistão.
Em outro núcleo do filme está um professor universitário interpretado por Robert Redford, que tenta convencer o aluno Todd Hayes (Andrew Garfield) a dar um sentido especial para sua vida. Todd é um aluno muito inteligente, mas pouco aplicado. O professor usa para ilustrar seus argumentos a história de dois ex-alunos seus que haviam lha chamado a atenção tamanho seu potencial. Estes alunos (Derek Luke como Arian Finch; Michael Peña como Ernest Rodriguez) decidiram por vontade própria servir ao exército dos Estados Unidos e dedicar suas vidas apenas à pátria.
É em torno destes personagens que a história se desenvolve, levando o expectador à reflexão. O filme apresenta ótima fotografia, sequencia de cenas muito boas e pequenos efeitos especiais que prendem a atenção. A produção conta com um ótimo elenco, do qual pode-se destacar a já conhecida atriz Meryl Streep e Andrew Garfield (Boy A/2007). Streep está brilhante, transbordando emoção e realidade do início ao fim. A atriz permite que a personagem faça parte dela deixando claro para quem assiste suas incertezas e verdades. Meryl Streep corresponde à todas as expectativas.
Já o jovem ator Andrew Garfield surpreende: mostra boa atuação, deixando explícitas as mudanças de seu personagem no decorrer do filme. Demonstra confiança e domina o papel de aluno.
O filme apresenta a realidade de vários tipos de pessoas em diversas situações, mas uma que merece destaque é a dos jornalistas, exemplificada no filme por Janine Roth. A jornalista vive em determinado ponto uma incerteza: torna-se fiel a um governo em que nem mesmo ela acredita ou segue seus princípios e não publica a matéria? Até quando vale a pena resistir? Lutar? Se render? A rede de televisão para qual Janine trabalha praticamente desiste de ir atrás da notícia e torna-se um veículo que faz parte de um governo manipulador e autoritário. É então que a jornalista questiona se é isso que busca ou não.
Leões e Cordeiros como título de filme retrata bem seu significado: leões são os soldados que possuem coragem para lutar em nome de seu país, defendendo com suas próprias vidas seus ideais; e os cordeiros são os governantes, no caso o Senador Ivring, que mandam e ordenam apenas, mostrando a relação do título com o enredo. A coragem versus o poder. Um exemplo de cenas do filme é a dos soldados que dão a vida pelo plano imposto, enquanto o Senador concede uma entrevista dentro de seu gabinete com ar-condicionado.
Recomendar o filme é pouco. O diretor, elenco e equipe conseguem mostrar que fazer cinema não é só divertir, mas sim ensinar a refletir. Todos exemplificaram um momento bem específico da sociedade, deixando para as próximas gerações quase um documento. Uma espécie de presente.